sábado, 16 de janeiro de 2010

Fatal

- A senhora tem um tumor maligno. Começou no pulmão e agora...

Bla, bla, bla!! Diga logo qual o dia, caralho.

- Quanto tempo, doutor?

- Três meses. Consequência do cigarro! Tente parar e fazer...

Tente parar de transar por uma semana, imbecil. Vai ver como me sinto sem fumar.

Trêmula, sai da clínica, deixa o olhar se perder na avenida e tira da bolsa o seu companheiro de toda obra e hora desde os 13 anos: o cigarro.

Preciso dar! Preciso dar! Nããããão! Eu TENHO que dar!

- Táxi!!!

- Pra onde, senhora?

- Siga a BR até a saída da cidade.

Daqui pro fim da cidade são meus exatos três meses.

- Ali, ali! A esquerda, logo após o retorno!

- Aqui, moça?! Aqui?!

- Isso! Entra e não me pergunta mais nada até estacionar.

"Amor Fatal" piscava em vermelho neon. Parecia premeditado.

Carro parado. Porta aberta. Ar ligado! AGORA!

- Tira a roupa, cara!

- Moça, tem certeza?!

- Tira logo!

- Oh, assim, nem precisa pagar a viagem...

Dois corpos nus.

- Deita, velho.

Puxa o brinquedinho. Longo e frio.

- Moça, o que é isso? Pra que isso? Não, não...

- Eu preciso relaxar. Não vai me ajudar? Vira, posição fetal.

Nu eu vim, nu voltarei. Pra que esperar três meses?

E ela deu. Dois estouros secos. Vermelho. Silêncio.

3 comentários:

Daniel Herrera disse...

Muito bom. =o

GABRIEL, gustavo disse...

Acidentes acontecem, ainda mais quando você os provoca. Lugares improváveis, situações improváveis.

Nathi disse...

Isso me lembrou "Verônica decide morrer", mas esta aqui conseguiu de verdade!!!

Isso que é mulher de decisão!

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