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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Desengano

- Ei, galera, 'perae' que eu preciso ligar pra meu pai!

Qual é mesmo o número? Ah, lembrei: oito-oito-UM-quatro-três-zero-zero-três

E digitou: oito-oito-QUATRO-um-três-zero-zero-três.

- Alô, pai?

- Filho? Filho?!?! É você?! Por que você sumiu?

- Hã?! Pai, nem demorou tanto assim! Só foi o tempo pra pensar algumas coisas...

- Mas... ah, eu e sua mãe estávamos super preocupados, ela até precisou ser sedada pra dormir algumas noites! Já acionamos até polícia.

- Não precisava disso tudo, pai. Eu volto pra casa amanhã!

- Ai, que felicidade!! Alívio, meu pequeno! Vou ligar pra todos os seus tios e seus avós! O banquete vai ser melhor do que o do Natal!

- Você não me dá atenção mesmo, né? Eu já tinha dito quando voltava.

- Tá. Eu admito que não tenho sido muito presente. Mas isso é coisa do passado, pense em daqui pra frente, daqui pra frente! Suspendi a bebida, diminuí o trabalho...

- E desde quando você voltou a beber, pai?

- Ah, desde aquela suposta traição da sua mãe! Desconfio até hoje!

- Mas vocês sempre pareceram tão bem...

- É, né? Algumas vezes o "parecer ser" é mais importante que o "ser".

- E toda aquela conversa sobre confiança?

- A gente só quis te proteger, meu filho! A gente queria que a separação fosse algo menos doloroso...

- Hã?! Separação?! Por que isso logo agora?

- Não foi você que disse que o importante era a gente estar bem?

- Ah, essas coisas só se diz pra amenizar o que se sente... É da boca pra fora! Claro que ninguém quer que aconteça.

- A gente ainda te ama. Você ainda é nosso filho, nós ainda seremos pai e mãe. Só não seremos mais marido e mulher.

- Quem ama não mente.

- Mas...

Tu tu tu tu tu tu tu tu

O crédito acabou. A ligação caiu. O menino nunca mais voltou para casa. A esperança voou. O amor acabou.