Qual é mesmo o número? Ah, lembrei: oito-oito-UM-quatro-três-zero-zero-três
E digitou: oito-oito-QUATRO-um-três-zero-zero-três.
- Alô, pai?
- Filho? Filho?!?! É você?! Por que você sumiu?
- Hã?! Pai, nem demorou tanto assim! Só foi o tempo pra pensar algumas coisas...
- Mas... ah, eu e sua mãe estávamos super preocupados, ela até precisou ser sedada pra dormir algumas noites! Já acionamos até polícia.
- Não precisava disso tudo, pai. Eu volto pra casa amanhã!
- Ai, que felicidade!! Alívio, meu pequeno! Vou ligar pra todos os seus tios e seus avós! O banquete vai ser melhor do que o do Natal!
- Você não me dá atenção mesmo, né? Eu já tinha dito quando voltava.
- Tá. Eu admito que não tenho sido muito presente. Mas isso é coisa do passado, pense em daqui pra frente, daqui pra frente! Suspendi a bebida, diminuí o trabalho...
- E desde quando você voltou a beber, pai?
- Ah, desde aquela suposta traição da sua mãe! Desconfio até hoje!
- Mas vocês sempre pareceram tão bem...
- É, né? Algumas vezes o "parecer ser" é mais importante que o "ser".
- E toda aquela conversa sobre confiança?
- A gente só quis te proteger, meu filho! A gente queria que a separação fosse algo menos doloroso...
- Hã?! Separação?! Por que isso logo agora?
- Não foi você que disse que o importante era a gente estar bem?
- Ah, essas coisas só se diz pra amenizar o que se sente... É da boca pra fora! Claro que ninguém quer que aconteça.
- A gente ainda te ama. Você ainda é nosso filho, nós ainda seremos pai e mãe. Só não seremos mais marido e mulher.
- Quem ama não mente.
- Mas...
Tu tu tu tu tu tu tu tu
O crédito acabou. A ligação caiu. O menino nunca mais voltou para casa. A esperança voou. O amor acabou.



